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Nosso Método
Para que serve o Yôga?
O Yôga não visa a resolver as mazelas do trivial diário
e sim a grande equação cósmica da evolução.
Mestre DeRose
Quando se fala sobre Yôga, surge logo a pergunta: “para que serve o Yôga, quais são os benefícios que proporciona?” Pense bem: por que o Yôga precisa proporcionar algum benefício?
Nestes últimos 50 anos, não houve um entrevistador de televisão que tenha deixado de fazer essa indefectível pergunta, ao iniciar seu diálogo com um instrutor de Yôga. Raras são as pessoas que, ao ser instadas por um amigo a praticar Yôga, não perguntem a mesma coisa, como se estivessem a declarar: “Está bem, posso até praticar Yôga, mas o que eu ganho com isso?”
Se essa pessoa fosse convidada a praticar Tênis, Karatê, Natação ou Dança[1], perguntaria para que serve cada uma dessas modalidades, ou que benefícios receberia em troca, se concedesse a graça da sua presença?
Não é convincente a justificativa de que é preciso fazer tal pergunta por ninguém conhecer bem o Yôga. Isso pode servir para os segmentos semi-analfabetos das populações pobres, mas não para as classes medianamente instruídas. O Yôga está expressivamente difundido há mais de um século no Ocidente. É difícil encontrar um clube que não tenha aulas de Yôga. Rara é a revista ou jornal que não publique pelo menos uma reportagem por ano sobre o tema. Portanto, trata-se de uma postura viciosa, saída não se sabe de onde, essa que induz a população a fazer automaticamente aquela pergunta nada lisonjeira.
Por qual motivo o Yôga precisa proporcionar algum benefício? Golfe, Tênis, Aeróbica, Rugby, Skate, Surf, Ginástica Olímpica e muitas outras atividades físicas são proverbialmente prejudiciais[2] à coluna, articulações, ligamentos, mas, apesar disso, legiões dedicam-se a elas, mesmo sabendo que trazem mais malefícios do que benefícios[3]. Alguém perguntaria: “Para que serve a Ginástica Olímpica? Que benefícios me proporcionaria? Sim, porque preciso saber antes de decidir praticá-la. Como é que eu entraria sem saber para que serve?”. Para que serve aprender pintura, escultura, teclado ou canto? Alguém em sã consciência cometeria tal questionamento?
Yôga antes que você precise
Faça Yôga por prazer como faria alguma daquelas modalidades esportivas ou artísticas. Consideramos um procedimento mais nobre ir ao Yôga sem finalidade de benefícios pessoais, mas sim impelido pelo mesmo motivo que induz o artista a pintar o seu quadro: uma manifestação espontânea do que está em seu íntimo e precisa ser expressado. Faça Yôga se você gostar, se tiver vocação, se ele já estiver fervilhando em suas veias. Não porque precise.
Não é justificável buscar o Yôga nem mesmo por motivação espiritualista, pois não deixa de ser uma forma de egotismo dissimulado, já que visa a uma vantagem espiritual.
Se o praticante busca exclusivamente as conseqüências secundárias, que são a terapia, a estética, o relaxamento, limitar-se-á às migalhas que caem da mesa – e o instrutor não conseguirá ensinar-lhe realmente Yôga, tal como o professor de Ballet não conseguiria ensinar dança a um aluno que almejasse apenas perder peso.
[1] “Daremos uma definição da dança: movimentos voluntários, harmoniosos, rítmicos, cujo fim são eles mesmos.” Do livro Gramática da dança clássica, de G. Guillot e G. Prudhommeau, citado por Anahí Flores.
[2] Este autor aprecia e pratica diversos esportes, mas está consciente dos riscos a que submete sua coluna, ligamentos e articulações ao dedicar-se por prazer a essas modalidades.
[3] O conceituado médico fisiologista Dr. Turibio Leite de Barros Neto, com 25 anos dedicados à pesquisa e ao ensino da medicina do esporte, em entrevista à revista Veja em 9 de julho de 1997, declarou: “é muito mais fácil e rápido perder do que ganhar saúde através do esporte”.
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